Oscar N. Brasil

 






A fachada de azulejos amarelos recebeu pintura do próprio arquiteto
Brises entre vidros duplos
Parte do conjunto de obras planejadas para o Caminho Niemeyer, em Niterói, o Teatro Popular permite descortinar o mar da baía de Guanabara através de fachada dupla com painéis de vidro e brises metálicos, que atendem à estética e promovem conforto ambiental.

Basta pensar nos desenhos que realizei para um mural do Teatro Popular para constatar que no Caminho Niemeyer também se deu a oportunidade de promover a integração das artes plásticas com a arquitetura. Uma preocupação que não se afasta de mim desde os projetos que criei na Pampulha, em Belo Horizonte, em particular a igreja de São Francisco de Assis”, ressalta o arquiteto Oscar Niemeyer, autor do conjunto cultural que leva seu nome, em construção desde a década de 1990, em Niterói, RJ.

Em 1991, Niemeyer foi convidado pelo então prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, para desenvolver o projeto do Museu de Arte Contemporânea. O arquiteto aceitou o desafio e, segundo ele, “foi com o êxito alcançado pelo MAC, inaugurado em 1996, que Silveira vislumbrou a construção de uma série de obras – do mar até aquele museu -, depois batizadas de Caminho Niemeyer”. Com implantação às margens da baía de Guanabara, o projeto tem como ponto de partida uma grande praça junto ao mar. Nela estarão o Teatro Popular, as catedrais católica e batista, a Fundação Oscar Niemeyer e o Memorial Roberto Silveira. As outras edificações – Museu de Arte Contemporânea, Museu do Cinema Brasileiro e Estação Hidroviária de Charitas – serão instaladas ao longo da baía.

A grande cobertura curva, que se origina nas empenas do edifício, envolve a fachada de vidro

A porta revestida com painéis de alumínio na cor vermelha permite abrir o palco para a grande praça

As cargas incidentes sobre a fachada, em especial a pressão de vento, foram consideradas para o desenvolvimento do projeto

Construído em concreto armado, o Teatro Popular é uma grande cobertura curva que se origina nas empenas do edifício. Os 3,5 mil metros quadrados de área construída se distribuem nos pisos térreo e superior. Neste encontra-se o auditório, com capacidade para 400 lugares. Do térreo parte uma rampa helicoidal, também de concreto armado, que conduz o visitante ao foyer do teatro, espaço que tem 580 metros quadrados.

As fachadas do edifício receberam diferentes soluções, calculadas e executadas pela Engevidros. Na área do foyer, adotou-se um grande pano de vidro com portas antipânico e sanca de iluminação revestida com painel de alumínio composto. A face noroeste, voltada para a baía de Guanabara, tem envidraçamento duplo com brises internos, enquanto a oposta a ela recebeu acabamento em azulejo amarelo e pinturas do próprio arquiteto.

As soluções arquitetônicas desenvolvidas para o teatro garantem um espaço para atender tanto grandes como pequenos públicos. O palco é reversível. Seu fundo é, na realidade, uma porta que se abre para a praça, originando um espaço para espetáculos ao ar livre, para cerca de 10 mil pessoas. Com dez metros de largura, cinco metros de altura e 500 quilos, a porta de correr tem duas folhas, foi fabricada com perfis metálicos e revestida com painéis de alumínio composto, nas cores vermelha e preta. Com acionamento motorizado por controle remoto, ela pode abrir-se para o grande pátio. Suas ferragens de motorização estão embutidas nas paredes laterais duplas. A esquadria foi tratada acusticamente com preenchimento de lã de rocha de alta densidade.

Desenvolvido pelo arquiteto Robson Jorge Gonçalves da Silva, do escritório Cena Arquitetura, o teatro, do tipo italiano, conta com caixa cênica em laje de concreto dupla na forma de onda, com altura que permitiu implantar a infra-estrutura cenotécnica para o recolhimento vertical de cenários e vestimentas de palco, tanto para a platéia interna como para a da praça, através da segunda boca de cena, ao fundo da caixa. Segundo Robson, “o tratamento acústico da platéia foi trabalhado para o uso da palavra, com tempo de reverberação calculado em torno de 0,75 segundos, com recomendações especiais para isolamento de ruídos externos nas esquadrias de vidro e no sistema de ar condicionado, incluindo a casa de máquinas”.

Esquadria linha Glazing preta, composta de coluna estrutural diagonal com encaixe duplo para fixação de quadros do vidro externo e interno laminado 10 milímetros cinza

Os panos de vidro são modulados em 1.600 x 1.600 milímetros

Com capacidade para 400 pessoas, o teatro recebeu tratamento acústico para o uso da palavra, …

Fachada dupla

Do interior do teatro, através da fachada noroeste, inteiramente de vidro, é possível descortinar o mar da baía de Guanabara. Assim como no museu que leva seu nome, em Curitiba, Niemeyer especificou para o Teatro Popular o mesmo conceito de fachada dupla, que atende à estética proposta e satisfaz o tratamento termoacústico da edificação. Ela possui duas peles de vidro laminado de dez milímetros, na cor cinza, não refletivo, interna e externamente. Eqüidistantes 240 milímetros, os panos de vidro, modulados em 1.600 x 1.600 milímetros, formam uma câmara de ar que abriga chapas de alumínio, dobradas em forma de hexágono, com 160 milímetros de diâmetro circunscrito e de profundidade. Montadas em forma tridimensional, que lembram colméias, as chapas exercem a função de brises metálicos. Sua superfície foi tratada com pintura eletrostática na cor preta e acabamento fosco.

Esses brises estão fixados na estrutura metálica, composta por perfis dispostos na diagonal, configurando, nos quadros regulares, quadrados inclinados, e junto das lajes, formas irregulares, mas sempre definidas pelas linhas retas da estrutura, inclinadas 45 graus em relação à vertical. Eles estão encaixados na estrutura de aço e fixados com parafusos de aço inoxidável.

No trecho em que a fachada é curva, foram instalados quadros periféricos preenchidos com os brises, exatamente nas medidas dos vãos entre a estrutura da grelha. São dimensões diferentes, oriundas do encontro das linhas retas inclinadas a 45 graus da estrutura de aço com as curvas superiores da laje inclinada inferior do auditório. No caso dos vãos retangulares, essa medida é de 1.510 x 1.510 milímetros. A modelação e a medição dos quadros foram feitas in loco, previamente com painéis de madeira aglomerada. Por serem modelados, os quadros periféricos tiveram que ser fabricados um a um. Na fachada toda foram instalados 150 quadros metálicos. Os vidros foram colados nos perfis de alumínio com silicone structural glazing.

Junta telescópica

Todas as cargas incidentes sobre a fachada, em especial a pressão de vento, foram consideradas para o desenvolvimento do projeto. Seguindo as orientações do calculista, a Engevidros resolveu de diferentes maneiras a deformação da estrutura de suporte periférico de concreto. Na base inferior, cuja deformação é mínima, a estrutura metálica foi apenas engastada na do edifício. A parte superior, com deformação suficiente para o esmagamento, recebeu junta telescópica capaz de absorver o trabalho da laje da cobertura de concreto armado. As ancoragens e as juntas foram dimensionadas conforme as normas. Entre os quadros de vidro, as juntas de 14 milímetros foram vedadas com silicone de cura neutra.

Segundo o engenheiro Ricardo Macedo, diretor da Engevidros, a distância de dez milímetros nos vidros internos, entre a pele e a estrutura metálica, permite a eventual entrada de insetos e sujeira na câmara. Para auxiliar na manutenção e na limpeza, a caixilharia fixa, voltada para o interior do edifício, possui quadros removíveis. Na face externa, para evitar a condensação de umidade entre os vidros, a caixilharia é fixada no vão e selada com silicone. Uma fita isolante entre os brises de alumínio e a estrutura metálica impede o contato entre os dois materiais e a possibilidade de ocorrer corrosão eletrolítica.

Após calcular, fabricar e montar a estrutura metálica, a Engevidros começou a execução da fachada pela instalação dos vidros externos. Em seguida foram colocados os brises e por último os caixilhos internos. As soluções e acabamentos foram feitos com rufos de chapas de alumínio e material isolante.

Devido ao desenho curvo do edifício, a fachada noroeste, com 20 metros de largura, recebeu no trecho superior vidros e brises modelados em arco. No restante, os vidros são retos. Na parte inferior, os quadros apresentam alturas diferentes para acompanhar a inclinação da rampa. Dessa inclinação resultou um vão com pé-direito de medidas distintas: do térreo até a cobertura, ele é de 12,30 metros; na subida da rampa ele vai diminuindo e, ao se encontrar com a fachada do foyer, tem 6,30 metros.

Vidros autoportantes

Na área do foyer, para atender à estética arquitetônica, a fachada de 29,75 metros de largura e 6,30 metros de altura foi vedada com uma única esquadria, composta por vidros temperados autoportantes incolores de dez milímetros e portas automáticas. “O arquiteto não queria perfis aparentes, e sim que o envidraçamento fosse o mais livre possível". A solução foi adotar uma viga horizontal de aço de 400 x 400 milímetros, apoiada em dois pilares de concreto, que divide a esquadria nos trechos superior e inferior. No primeiro, os quadros de vidro possuem 3,30 metros de altura; no segundo, medem 2,40 metros. A viga de aço ganhou outras funções. Revestida com painéis de alumínio composto na cor prata, tornou-se uma sanca de iluminação, que também esconde todos os equipamentos da porta automática”, explica Macedo.

Na parte inferior da esquadria estão as portas deslizantes com sistema antipânico e caixilhos transparentes, produzidos com perfis de alumínio e vidros temperados autoportantes. Conforme determinação do arquiteto, na fixação das 30 chapas de vidro, de 2.100 x 3.300 milímetros, foi utilizado um sistema de baguetes compostos por perfis de alumínio de 25 x 50 milímetros. Na parte superior também foi prevista uma junta telescópica, evitando o esmagamento pelo trabalho da laje superior. Para haver a troca de ar e auxiliar no tratamento térmico, os vidros superiores, na altura do teto, possuem vários furos, conforme orientação do projeto de ar condicionado.

O sistema antipânico das portas tem um dispositivo que permite saída de emergência do tipo rota de fuga. Em caso de evacuação emergencial do ambiente, as portas e os caixilhos fixos se transformam, com um leve impacto, em folhas pivotantes, promovendo abertura quase total do vão. O sistema de automatização das portas é composto por um grupo motor comandado por placa microprocessadora de 16 bits. São dois motores de corrente alternada com controle VVVF. O sistema tem fecho eletromagnético também comandado pela placa microprocessadora.

Texto resumido a partir de reportagem
de Gilmara Gelinski
Publicada originalmente em FINESTRA
Edição 49 Junho de 2007

…com isolamento de ruído externo nas esquadrias de vidro e no sistema de ar condicionado

O teatro, do tipo italiano, conta com caixa cênica em laje de concreto dupla na forma de onda

Na área do foyer adotou-se um grande pano de vidro, com portas antipânico

A viga horizontal de aço, na área do foyer, está oculta pela sanca revestida com painéis de alumínio composto
Liberdade plástica em concreto armado
Das oito edificações que compõem o Caminho Niemeyer, estão prontos o Museu de Arte Contemporânea, a Estação Hidroviária de Charitas e o Teatro Popular. Em fase de conclusão encontram-se o Memorial Roberto Silveira e o Museu do Cinema Brasileiro. As demais construções ainda não têm cronograma definido. O conjunto se estenderá por aproximadamente sete quilômetros, em área de 72 mil metros quadros.

“Esse projeto foi a oportunidade de criar, com edifícios de destinações tão diferentes, um conjunto arquitetônico moderno, onde a técnica do concreto armado se apresenta com a maior liberdade plástica”, observa Niemeyer. O Teatro Popular, por exemplo, com palco que pode abrir-se para o exterior, se destacará em meio às outras construções instaladas na praça. A Fundação Oscar Niemeyer abrigará o acervo do arquiteto e salas de aulas. O edifício, com 5,1 mil metros quadrados, em formato de cúpula, terá um andar térreo e mezanino para exposições.

Já o Memorial Roberto Silveira, com 460 metros quadrados, será fonte de consultas sobre a cidade de Niterói e terá um pequeno auditório. Com 8,3 mil metros quadrados, o Museu do Cinema Brasileiro será composto por cinco salas de projeção e uma área livre, ligadas por uma laje de acesso. A Estação Hidroviária de Charitas, com 1.860 metros quadrados, abriga no pavimento térreo os setores de embarque e desembarque de passageiros e lojas.

Estação Hidroviária de Charitas

Museu do Cinema Brasileiro

Fundação Oscar Niemeyer

Catedral batista

Catedral católica

Museu de Arte Contemporânea, inaugurado
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Lugar de construir o conhecimento
A Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima, implantada em uma movimentada esquina do bairro paulistano de Pinheiros, nasceu com proposta bastante ambiciosa, segundo o arquiteto José Oswaldo Vilela, autor do projeto. "Deveria ser mais que um espaço tradicional de leitura e acesso aos livros. Teria de ser também um lugar de construção do conhecimento", explica o arquiteto.
A biblioteca foi inaugurada após 12 anos sem novos prédios públicos do gênero em São Paulo. Seu projeto, elaborado há uma década em órgão interno da prefeitura (o Departamento de Edificações, onde Vilela trabalhava), conserva a atualidade. Sua concepção norteia-se por conceitos de multifuncionalidade e incorpora atividades como música, cinema e artes plásticas, com espaços específicos.

Os bibliotecários da rede municipal fizeram sugestões para compor o programa do prédio. Surgiram daí, por exemplo, os espaços integrados e de uso do público em geral, como a área do térreo (o embasamento do edifício), onde estão o café/bar (ainda não instalado), o auditório e espaço para pequenas exposições de artes plásticas. No primeiro pavimento ficam a diretoria e a galeria para exposições de maior envergadura; e, logo acima da biblioteca propriamente dita, no segundo pavimento, o mezanino foi idealizado como espaço de múltiplo uso, podendo abrigar atividades multimídia.

O partido arquitetônico, concebido sob o clássico conceito "a forma segue a função", imprimiu um ritmo às fachadas e às aberturas de acordo com a ocupação destinada a cada pavimento. Assim, o acesso principal, no térreo, é aberto e praticamente convida o transeunte a entrar no prédio. O primeiro pavimento é marcado pelas grandes esquadrias com fechamento em vidros translúcidos, conformando uma grande galeria, visível do exterior. A biblioteca, no segundo piso, ganhou a proteção de empenas cegas em quase todas as suas faces. Pequenas aberturas, na forma de um rasgo na fachada em frente ao acervo de livros, permitem luminosidade natural em intensidade suficiente. Esse pavimento conta, porém, na fachada voltada para o jardim interno lateral, com grandes aberturas que iluminam também o mezanino, claridade reforçada pelos lanternins da cobertura.

Duas grandes vigas de concreto, na fachada lateral voltada para o norte, abrigam os reservatórios de água do prédio e funcionam como protetores termoacústicos. O desenho do edifício reflete o rigor do tratamento funcional em uma arquitetura elegante, sóbria e de formas exatas – o grande e robusto retângulo de concreto do segundo pavimento, ancorado em pilares engastados em formas prismáticas no corpo do edifício, as aberturas nos primeiros pavimentos e os lanternins na cobertura.

O autor empregou concreto para vencer grandes vãos, com pilares e vigas de grande porte, procurando harmonizá-lo com materiais compatíveis – a estrutura metálica da cobertura, com telhas do mesmo material, e o fechamento translúcido sobre a pequena área de exposição do térreo.

Sutilmente inspirado na escola paulista de arquitetura, o projeto trabalhou com materiais básicos – concreto, pisos de alta resistência, esquadrias de ferro e vidro. No nível do primeiro pavimento, surge um jardim interno, equipado com paisagismo bem cuidado e instalações para cursos ao ar livre de pintura e artes plásticas. O posicionamento na topografia, elevada em relação à avenida, e o paisagismo permitem desfrutar desse espaço com tranqüilidade.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 244 Junho de 2000

Fachada principal em concreto aparente e áreas envidraçadas no térreo. No primeiro pavimento, grandes empenas de concreto do segundo piso e mezanino

Na fachada frontal, o encontro do pilar com o corpo do edifício, em forma geométrica

Área de leitura: grandes esquadrias abrem o espaço para o jardim interno. Mezanino:cobertura com estrutura e telhas metálicas e iluminação zenita

Área frontal interna da biblioteca

Arquitectura

Rick Joy, reconocido por la sensibilidad y la riqueza material de su obra, estará en Colombia como conferencista en el Seminario Internacional Alternativas de Construcción en la Arquitectura Contemporánea, que se realizará el 29 de octubre en el hotel Cosmos 100 de Bogotá.

Texto: Gabriel Hernadez
Fotografía: Fotografía. Aerchivo Popular


 

   
 
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A finales de la década de 1970, en el estado de Maine al noreste de los Estados Unidos donde era músico de jazz, Rick Joy estaba muy lejos de sospechar que algún día sería ampliamente conocido como “El arquitecto del desierto”.

“El oficio de la música es divertido cuando eres joven… pero conlleva un ritmo de actividad que se vuelve pesado a medida que pasan los años”, dice Rick Joy cuando se refiere a su vida antes de la arquitectura. “Me atrajo Arizona por el aura romantizada de sus paisajes agrestes y desérticos, por el clima seco y cálido y además, porque ahí queda una de las universidades menos costosas del país”, añade con una mezcla de sinceridad, modestia y espíritu práctico.

Estas tres condiciones están presentes en la producción del estudio de arquitectura que abrió en Tucson en 1993 donde, al frente de un pequeño equipo de trabajo, ha ido completando un conjunto de obras consistentes principalmente en viviendas campestres, algunas de ellas para clientes célebres como el director de cine Francis Ford Coppola. La textura de la tapia pisada, el color del acero oxidado y la presencia de la madera forman parte de la paleta de materiales con los que el arquitecto compone sus diseños que se inscriben con naturalidad en el paisaje.

“Sé que soy muy conocido por nuestras casas del desierto, pero no es lo único que hacemos; en Vermont diseñamos una casa de madera con cubierta de pizarra que se mezcla con los bosques y las praderas de los alrededores… Estamos trabajando en un hotel de vacaciones en Utah, y buscamos llegar a un público más amplio con la participación en un proyecto de vivienda popular en Guadalajara, México”.

Al hablar sobre la relación entre música y arquitectura, Rick recuerda las reflexiones sobre el tema que compartió con Rogelio Salmona en Finlandia cuando el colombiano recibió el premio Alvar Aalto en 2003. En esa ocasión, charlaban acerca de la complejidad sensorial que significaba el estar inmerso en un espacio físico o en las estructuras armónicas de una composición musical.

¿Qué le produce placer a Rick Joy en la arquitectura?

“Me gusta imaginar –o soñar– estilos de vida interesantes para mis clientes… Y en ese proceso, me atrae más la búsqueda que los resultados. De hecho, cuando aprecio una obra de arte, quiero captar los intereses y las motivaciones de su creador, como me sucede con las pinturas de Jan Vermeer (Delft, Holanda, 1632-1675). Cuando diseño, busco algo especial en el lugar: la luz… el ambiente… En el caso de una de nuestras casas del desierto estructurada en tres volúmenes, cada uno de los cubos se abre como el diafragma de una cámara para enfocar el paisaje desde un punto de vista distinto.
Joy ha sido profesor invitado en universidades como Harvard, Arizona y Rice. A sus alumnos les sugiere experimentar acercamientos creativos a la arquitectura y al diseño, como las artes, la música y la literatura. “Las experiencias creativas –dice– enseñan bastante acerca de cómo construir formas de vida. Un nuevo proyecto es la oportunidad de ser generoso con los pensamientos y las ideas. Por ejemplo, en el caso del proyecto de la Villa Panamericana en Guadalajara pensé que, aunque se trataba de vivienda económica, no era muy considerado abrir la puerta de la casa directamente sobre el estar familiar, y propuse una forma de acceso más amable”.

La obra de Rick Joy ha sido reconocida con distinciones como el Premio de Arquitectura de la Academia de Artes y Letras y el Premio Nacional de Diseño del Instituto Smithsoniano/Museo Cooper Hewitt. Al respecto, opina: “Los premios no necesariamente significan que tengamos más talento… Más bien representan el trabajo y el interés que les dedicamos a los encargos de nuestros clientes”.

Después de recorrer un largo camino para encontrarse con su oficio, Rick Joy sostiene que la arquitectura es un arte para personas mayores. En su taller de diseño en Tucson, construido con muros de tierra pisada, con cielos rasos de acero y ventanales inclinados de vidrio, junto a los computadores de rigor en la práctica actual, mantiene papel de trazo y lápices para expresar ideas y afinar detalles, exaltando la rapidez y la agilidad de la relación entre el cerebro y la mano; entre los pensamientos y su realización material.

Ludica

Cores e volumes lúdicos, sem apelar para infantilização
A escola-berçário Primetime adota uma filosofia de ensino que proporciona condições favoráveis ao desenvolvimento do potencial de crianças até três anos. Nesse contexto, a arquitetura assume o papel primordial de estimular os sentidos. A proposta de Marcio Kogan e Lair Reis explora as possibilidades implícitas nesse objetivo e estabelece um dinâmico e colorido jogo de volumes, construídos com diferentes materiais.
A própria cliente estruturou o complexo programa da escola-berçário com capacidade para 75 crianças, localizada no bairro do Morumbi, em São Paulo. Foi um trabalho construído ao longo de anos de estudo e planejamento, período em que, paralelamente, ela adquiriu diversos itens de mobiliário importado, selecionados pelo design e por oferecerem soluções consideradas adequadas e atuais. “Ela sabe exatamente o que quer. Cada detalhe foi exaustivamente discutido e tem o seu porquê”, descreve Marcio Kogan, autor do projeto.

A arquitetura de linhas contemporâneas, com caráter lúdico e sem o apelo fácil da infantilização dos espaços, já era uma das premissas da cliente antes de contratar o projeto. Ficou fácil, então, escapar dos modelos convencionais e propor uma construção baseada na composição de volumes e cores e na mescla de concreto, vidro e policarbonato. O resultado é um conjunto de caixas que interagem e, à primeira vista, fazem o observador supor que se trata de um escritório.

A transparência da fachada sul expõe as áreas internas de circulação. A iluminação noturna valoriza o conjunto

A caixa de policarbonato faz o fechamento da rampa no nível térreo e embute a linha de pilares

Durante a noite, as chapas metálicas perfuradas dão transparência ao conjunto. A luz azul cria atmosfera tranqüila na sala de descanso dos bebês

Para dispor todos os itens do programa no lote de esquina, relativamente pequeno, foi necessário verticalizar a construção. Com três pavimentos interligados por rampas, o bloco principal apresenta fachada sul transparente, expondo a circulação com guarda-corpo de vidro e a grande empena amarela que resguarda os demais espaços. Quase todos os ambientes estão abertos para a face norte, que ganhou a proteção de chapas perfuradas instaladas a 1,20 metro de distância da fachada posterior, criando varandas que possibilitam deixar os vidros abertos sem colocar em risco a segurança das crianças. Vista externamente, essa fachada parece opaca durante o dia e transparente à noite. Voltada para a pequena praça de transição entre o espaço público e o privado, a face frontal destaca-se pelo volume cúbico amarelo, que se projeta do limite da construção e abriga uma pequena sala de reuniões.

No térreo do bloco principal há apenas a rampa com fechamento de policarbonato que embute a linha de pilares. Ela leva ao andar intermediário, reservado para as crianças que já conseguem caminhar, e ao pavimento superior, onde ficam os bebês que ainda não andam. Dois outros blocos foram implantados no nível da rua. O de cor laranja concentra cozinha e refeitório, ambientes também usados em atividades didáticas, enquanto o bloco amarelo destina-se à sala de múltiplo uso com palco, explica Lair Reis, co-autor do projeto.

Vista dos fundos da escola, com pátio coberto e playground gramado

Durante a noite, as chapas metálicas perfuradas dão transparência ao conjunto. A luz azul cria atmosfera tranqüila na sala de descanso dos bebês

Para dispor todos os itens do programa no lote de esquina, relativamente pequeno, foi necessário verticalizar a construção. Com três pavimentos interligados por rampas, o bloco principal apresenta fachada sul transparente, expondo a circulação com guarda-corpo de vidro e a grande empena amarela que resguarda os demais espaços. Quase todos os ambientes estão abertos para a face norte, que ganhou a proteção de chapas perfuradas instaladas a 1,20 metro de distância da fachada posterior, criando varandas que possibilitam deixar os vidros abertos sem colocar em risco a segurança das crianças. Vista externamente, essa fachada parece opaca durante o dia e transparente à noite. Voltada para a pequena praça de transição entre o espaço público e o privado, a face frontal destaca-se pelo volume cúbico amarelo, que se projeta do limite da construção e abriga uma pequena sala de reuniões.

No térreo do bloco principal há apenas a rampa com fechamento de policarbonato que embute a linha de pilares. Ela leva ao andar intermediário, reservado para as crianças que já conseguem caminhar, e ao pavimento superior, onde ficam os bebês que ainda não andam. Dois outros blocos foram implantados no nível da rua. O de cor laranja concentra cozinha e refeitório, ambientes também usados em atividades didáticas, enquanto o bloco amarelo destina-se à sala de múltiplo uso com palco, explica Lair Reis, co-autor do projeto.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 335 Janeiro de 2008
Marcio Kogan graduou-se em arquitetura em 1976 pela Universidade Mackenzie. É autor do projeto de diversas residências e do hotel Fasano (com Isay Weinfeld).

Lair Reis formou-se em 2000 pela mesma instituição e manteve escritório próprio até 2004, quando passou a integrar a equipe de Kogan

A área sob a rampa ganhou colchonetes e foi transformada em uma biblioteca, onde as crianças ficam à vontade para manusear os livros

Durante o dia, as chapas metálicas perfuradas dão efeito opaco à fachada posterior, voltada para o norte

Vista da sala de atividades. O mobiliário fixo tem o design dos arquitetos e as peças soltas são importadas. O fechamento de chapas perfuradas permite que os vidros fiquem totalmente abertos sem oferecer riscos às crianças

Vista noturna da rampa

Em contraste com a arquitetura contemporânea, a casinha de bonecas repete o modelo de uma residência no imaginário infantil

Detalhe da secretaria, situada no pavimento superior

Vista do nível intermediário para o piso superior

O piso é aquecido nas áreas onde as crianças brincam no chão. O revestimento é feito com laminado vinílico

A sala de múltiplo uso com palco facilita o exercício da criatividade

centro digital

Equipamento cultural requalifica espaço da praça existente
Inaugurado em meados de junho passado, o Centro Digital do Ensino Fundamental, em São Caetano do Sul, consolidou-se a partir de projeto do escritório JAA Arquitetura e Consultoria, dirigido por José Augusto Aly. Implantada numa fração de terreno da praça Di Thiene, junto à avenida Goiás, a edificação tornou atrativa a praça com a qual divide o espaço, impondo-se como ponto de interesse arquitetônico daquela via.
Bem-cuidada pela administração local, a avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC paulista, é uma longa via que corta o município, fazendo a ligação entre São Paulo e Santo André, duas cidades vizinhas. Até pouco tempo atrás, era possível percorrer praticamente toda a sua extensão sem deparar com qualquer construção que merecesse destaque – a não ser, pelo porte, a enorme fábrica da GM. Desde junho passado, quando a prefeitura inaugurou o Centro Digital do Ensino Fundamental, pelo menos do ponto de vista da arquitetura esse panorama mudou.

Construído em um trecho da praça Di Thiene paralelo àquela via, na altura do bairro Santa Paula, o conjunto foi projetado por José Augusto Aly e ocupa toda a testada da quadra. A edificação se destaca, no entanto, não por seu porte ou extensão, mas pelo desenho e pela implantação. A praça, antes um espaço comum, ganhou outra qualificação – e não é exagero considerar o edifício uma referência arquitetônica local.

Detalhe do encontro do brise metálico com a estrutura de concreto

O telecentro, à direita, apresenta tonalidade e desenho contrastantes com a caixa de vidro
Aly conta que o trabalho começou a ganhar contorno quando ele foi chamado para desenvolver um estudo para outro conjunto, também por encomenda da prefeitura, nas proximidades da praça. Esta chamou sua atenção por estar subutilizada e completamente cercada por grades. Ao saber que o poder público não tinha intenção de intervir no local, o arquiteto decidiu propor sua ocupação com uma biblioteca.

Para a construção inicial, a idéia não prosperou. Mas a sugestão do edifício cultural concretizou-se num conjunto com 3,5 mil metros quadrados de área construída, cujo programa original foi ampliado: além da biblioteca convencional, a edificação abriga uma biblioteca digital, telecentro (cujo objetivo é ampliar o acesso da população às mídias digitais) e uma escola de informática.

O arquiteto desenhou uma construção – “uma barra de 85 x 12,5 metros”, como a define Aly – com o pavimento térreo quase totalmente em pilotis, solução que, observada da avenida, configura uma espécie de porta de acesso para a praça, justificando, assim, o termo praçaequipamento. Numa descrição simples, o prédio é composto por dois volumes laterais (ocupados pela circulação vertical), entre os quais estão implantados uma caixa envidraçada transparente (a biblioteca) e um volume de desenho mais denso e tonalidade contrastante (o telecentro).

A caixa envidraçada recebeu a proteção de brises na face mais sujeita à insolação, no lado voltado para a avenida. Na fachada oposta, orientada para a praça, o volume é quase completamente transparente, revelando o interior do prédio. Nessa relação interior/exterior, Aly toma como referência certos aspectos do projeto de Paulo Bruna Arquitetos Associados para a antiga Ática Cultural (PROJETO DESIGN 210, julho de 1997), hoje Fnac Pinheiros. No térreo, além do acesso, foi reservado espaço para um café, que ainda não está funcionando.

À direita do acesso principal, vindo da avenida, numa parte do terreno que foi rebaixada, o arquiteto encaixou a escola de informática, cujo contorno é demarcado por um espelho d’água. A praça seca no térreo deve servir para a apresentação de pequenos shows e eventos. Ainda nesse pavimento, acima do volume da escola, configura-se o bloco do telecentro, no topo do qual está um terraço de estudos/leitura.

O conjunto, informa Aly, possui estrutura de concreto armado moldado in loco e desenvolve-se como uma barra longitudinal em módulos de 12,5 x 6,25 metros e balanços de aproximadamente 3,5 metros. A impressão é a de um volume suspenso sob um pórtico, que nas extremidades tem áreas de circulação vertical, sanitários e shafts. A cobertura técnica abriga equipamentos de conforto predial e instalações. A cobertura do telecentro ultrapassa em altura e largura a da caixa de vidro, fornecendo proteção ao terraço e à praça seca do térreo.

Texto resumido a partir de reportagem
de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 343 Setembro de 2008

José Augusto Aly é arquiteto (formado em 1987), mestre e doutorando pela FAU/USP. Titular do escritório JAA Arquitetura e Consultoria, é professor do Centro Universitário Belas Artes e da FAU/Mackenzie

No andar mais alto da edificação fica a biblioteca digital

O volume hermético do telecentro contrapõe-se à transparência da biblioteca

Na face voltada para a avenida principal, os brises atenuam a incidência solar

No térreo, uma passarela metálica transpõe a praça seca, encaixada no terreno

Vista da praça em direção ao centro digital. Nessa fachada da biblioteca, prevalece a transparência

Requalificada, a praça é visível do interior da biblioteca

Os interiores são claros nas áreas das bibliotecas

O espelho d’água, o telecentro e a biblioteca de concreto e vidro: o autor trabalha diferentes planos e sobreposições

A edificação foi implantada em parte do terreno da praça Di Thiene

parq.

 






Lâminas entrelaçadas dão forma ao teatro de dança

A balança do bairro da Luz, que às vezes pende com estardalhaço para a Cracolândia – região degradada pela venda e consumo de drogas em pleno centro de São Paulo -, pode ganhar mais um contrapeso caso se concretize a intenção da Secretaria da Cultura estadual de implantar o Complexo Cultural Teatro de Dança no terreno onde funcionou durante anos a principal rodoviária paulistana. Projetado pelos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, ele vai somar esforços com o Museu da Língua Portuguesa, de Paulo Mendes da Rocha, e a Sala São Paulo, de Nelson Dupré, na proposta de fazer da cultura um dos focos de estímulo para a revitalização da área.

No início de julho foi divulgado o estudo preliminar preparado pelo escritório Herzog & De Meuron, contratado pela secretaria. Apenas uma praça vai separar o edifício da Estação Júlio Prestes – projetado por Christiano Stockler das Neves e no qual há dez anos Dupré inseriu a Sala São Paulo – do complexo cultural que, segundo a secretaria, vai colocar São Paulo definitivamente na rota dos grandes projetos de arquitetura internacional.

Segundo o órgão paulista, a convocação de Herzog & De Meuron, contratado por notória especialização, entre outros motivos, ocorreu depois de a empresa inglesa TPC Theatre Projects Consultants, também a convite da secretaria, ter definido o perfil do futuro complexo e detalhado o programa de cada item. Seus técnicos estudaram e analisaram a cidade para dimensionar um teatro de características únicas.

A partir desse estudo, a secretaria selecionou escritórios internacionais de arquitetos que poderiam se interessar em desenvolver o projeto: o inglês Norman Foster, o argentino radicado nos EUA Cesar Pelli, o holandês Rem Koolhaas e a dupla suíça. “Queríamos provocar um escândalo na arquitetura brasileira. No bom sentido”, provoca o secretário da Cultura, João Sayad. Mesmo detentores do Pritzker, Oscar Niemeyer e Mendes da Rocha foram descartados, segundo Sayad, por já terem outros projetos na cidade. Na avaliação do secretário, a arquitetura de Foster, Pelli e Koolhaas torna seus projetos facilmente reconhecíveis em qualquer parte do mundo, enquanto a de Herzog & De Meuron revela-se sempre inovadora, invulgar.

A decisão provocou, se não escândalo, pelo menos um choque no meio arquitetônico paulista. De um lado, alguns defenderam a contratação dos suíços, pelos antecedentes de sua admirada arquitetura. Outros, contrariados, contestaram não o trabalho dos arquitetos escolhidos, mas a forma de escolha, argumentando que seria mais justa a realização de um concurso internacional.

Com o caderno do estudo preliminar do TPC nas mãos, Sayad aponta, bem-humorado, a planta de uma das salas e diz: “Aqui vai ficar o camarote do secretário”. Para chegar a ele, Sayad – ou seu eventual sucessor – terá apenas que atravessar a praça Júlio Prestes (a sede da secretaria fica no edifício que também abriga a Sala São Paulo) e percorrer a rampa que demarca a entrada principal do complexo. A partir do lobby, poderá se dirigir a um das dezenas de ambientes, que se distribuirão por aproximadamente 95 mil metros quadrados de área construída. Entre outros, o conjunto contará com três teatros: um para dança e ópera, com 1.750 lugares; outro destinado a teatro e recitais, para 600 espectadores; e uma sala experimental, de 450 lugares.

O conceito intrínseco ao projeto de Herzog & De Meuron foi mesclar e combinar o máximo de atividades possível, transpondo para o edifício a dinâmica da metrópole paulistana. O conjunto possui quatro pavimentos (e altura média de 23 metros), dos quais não se consegue fazer uma leitura externa linear nem definir uma hierarquia entre as fachadas. Uma abordagem possível é a de uma praça suspensa, composta por um jogo de lâminas entrelaçadas nos dois sentidos, que se integra às áreas verdes que a dupla propõe para o entorno.

A quadra abrangida pela intervenção é formada pela praça Júlio Prestes e trechos da rua Helvétia e das avenidas Rio Branco e Duque de Caxias. “Nosso objetivo é criar um espaço cultural bem localizado e de fácil acesso à população, próximo das linhas de metrô e trem. São Paulo merece um grande marco arquitetônico e esse complexo desempenhará tal papel”, avalia Sayad.

Os recursos estimados pelo Estado para a construção do complexo são de 300 milhões de reais, parte dos quais se pretende obter por meio de financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Herzog & De Meuron devem receber por seu trabalho cerca de 8,5% desse total, o que representa quase 26 milhões. A secretaria prevê que a licitação para dar início à obra seja realizada no segundo semestre de 2010.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 354 Agosto de 2009

Teatro de dança e ópera – térreo

Teatro de dança e ópera – 1º balcão

Sala experimental

Corte do teatro de dança e ópera
 
“Nossa contribuição é positiva para a arquitetura”
Consolidar a Luz, região central de São Paulo, como o mais importante polo cultural da América Latina é a intenção da Secretaria da Cultura, e o Complexo Cultural Teatro de Dança, a ser construído na área da antiga rodoviária, é uma peça importante nesse processo. Essa é a avaliação do secretário da Cultura João Sayad, que explicou a PROJETO DESIGN por que o projeto de Herzog & De Meuron foi escolhido.
Quando a secretaria pensou no teatro de dança, já havia a ideia de implantá-lo na área da antiga rodoviária?
Primeiro pensamos na sede da companhia e no teatro. Procuramos um local e, depois de várias propostas, chegamos a este, uma área deteriorada, em frente da Sala São Paulo. A praça Júlio Prestes está mal aproveitada e éramos cobrados pelo governador para reformá-la. Numa etapa inicial, no primeiro semestre do ano passado, trabalhamos com especialistas do escritório TPC Theatre Projects Consultants, durante cerca de quatro meses, para a definição do programa. Terminada esssa fase, escolhemos conversar com arquitetos de notória especialização: Foster, Koolhaas, Pelli e Herzog & De Meuron. Pareceu-nos que eles tinham mais capacidade de negociação para que o projeto custasse pouco em vista da nossa preocupação primordial, que era a qualidade técnica e cenográfica, em termos de dimensões adequadas de palco, plateia e condições de acústica, em um espaço para dança e ópera. Teremos um teatro de excelência.

Os escritórios foram sugeridos pela TPC?
Conversamos sobre eles e sobre outros que acreditávamos que não topariam vir para o Brasil. Alguns foram convidados para conversar e nem vieram, outros eram excelentes mas apresentavam determinadas exigências técnicas, e outros ainda tinham personalidade profissional difícil para realizar a negociação. Chegamos então a Herzog & De Meuron. O fato de ser um escritório estrangeiro era porque buscávamos arquitetos de notória especialização e não queríamos promover um concurso. Dos notáveis brasileiros, [Paulo] Mendes da Rocha e [Oscar] Niemeyer, por exemplo, já têm bastantes projetos no Brasil. Também imaginamos que, como Secretaria da Cultura, seria uma contribuição positiva para a arquitetura trazer um profissional estrangeiro. E os suíços mostravam algumas características importantes para nós.

Quais são essas características?
O grande interesse deles em fazer um projeto na América Latina, especialmente no Brasil, a disponibilidade de tempo, em comparação com outros escritórios, além da intenção de investir no país. Analisando seu portfólio, percebemos que cada projeto é único. É difícil apontar um edifício e dizer com certeza que é de Herzog & De Meuron. Olhando com olhos de leigo, como são os meus, é possível perceber quais são de Koolhaas, quais são de Foster ou de Pelli – espero que eles não leiam sua revista -, mas não quais são de Herzog & De Meuron. Principalmente porque eles investem muito na concepção do material, na fachada e na adaptabilidade do projeto ao local.

Quando eles foram contratados?
Em julho do ano passado. Desde então, já vieram a São Paulo várias vezes, visitaram a cidade e apresentaram o projeto básico. Mas, como suíços cuidadosos que são, dizem que é a proposta básica e preliminar. Eles gostariam de apresentar o projeto em outubro, mas estamos tentando nos antecipar e fazer com que isso ocorra na próxima bienal de arquitetura.