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Telhado de abas largas para garantir sombreamento, platibandas, recuos e sistemas de ventilação cruzada, propostos pela arquitetura, além de produtos e procedimentos que colaboram para a redução do impacto ambiental promovido pela construção, formam o conjunto de iniciativas que compõem o projeto casa Aqua.

Com cem metros quadrados e propostas que a tornam exemplo de sustentabilidade, a casa Aqua foi apresentada durante a Feicon 2009, feira da construção civil realizada no final de março, em São Paulo. Da proposta arquitetônica elaborada por Rodrigo Mindlin Loeb aos sistemas e materiais empregados, a residência dispõe de mecanismos que permitem o aproveitamento de água das chuvas, a redução do consumo de eletricidade, a utilização de energia solar e de produtos e materiais recicláveis. “Dentro da casa, foi aplicado o conceito de arquitetura passiva, uma concepção que por si só já garante melhoria no conforto ambiental e a boa utilização dos recursos energéticos”, explica Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech, uma das participantes do projeto. “O objetivo é mostrar como a construção sustentável tem influência na qualidade de vida dos usuários, na redução do uso de energia e água e na diminuição dos custos operacionais e dos impactos no meio ambiente”, afirma.

A casa foi projetada com sistemas de ventilação cruzada, sombreamento através de brises, platibandas e vegetação, que protegem as faces expostas à maior incidência de luz solar. O telhado tem tesouras invertidas e sua concepção cumpre três funções: promover o sombreamento, captar a água das chuvas e colaborar com a ventilação natural, uma vez que entre ele e a laje da cobertura há um espaço que forma um colchão de ar. O calor que passa pela cobertura é, dessa forma, conduzido para fora pela corrente de ar. A água pluvial é direcionada para um único coletor e, depois, levada para um reservatório que dispõe de filtros para remoção dos sólidos. É também submetida a um sistema de cloração para eliminar resíduos, mesmo não sendo para consumo humano. O ângulo de inclinação do telhado dessa unidade é de 33 graus, mas ele pode variar, dependendo da região em que a casa for implantada e das cargas de vento a que será submetida. “Tratando-se de um protótipo, determinamos a inclinação mais adequada para garantir o melhor aproveitamento das telhas, sem cortes”, afirma Ferreira.

BAIXO IMPACTO
O circuito percorrido pelos visitantes da casa na Feicon mostrou as fichas técnicas de cada solução utilizada para reduzir o impacto ambiental tanto na fase de execução, como na de uso. Entre elas estão os painéis solares para aquecimento de água; o sistema construtivo wood frame, que chega pronto ao canteiro e elimina a geração de resíduos; o sistema de automação, que gerencia o uso de energia; a madeira certificada e as telhas de material reciclado. Ferreira explica que a ecoconstrução envolve a relação do edifício com o entorno, a escolha integrada de produtos, processos construtivos e um canteiro de obras com baixo impacto ambiental. Todas essas orientações fazem parte da metodologia Aqua, que pressupõe um sistema de gestão do empreendimento. “Um canteiro como esse é de responsabilidade das construtoras e dos empresários da construção, mas ainda há muitas empresas que não querem arcar com essas decisões”, ele afirma.

Com cem metros quadrados, a casa Aqua dispõe de telhado que aproveita a água das chuvas, utiliza energia solar para reduzir o consumo de eletricidade e emprega produtos e materiais recicláveis

A casa segue o conceito de arquitetura passiva, com o aproveitamento da ventilação natural e o sombreamento feito por espécies vegetais na fachada, de forma a melhorar o conforto térmico

Corte transversal
O desenvolvimento do projeto de uma casa com as dimensões e as características do protótipo montado na feira pode demorar cerca de quatro meses. E a construção, entre três e seis meses, dependendo do sistema escolhido e dos aspectos do terreno. “Temos no Brasil uma cultura de começar a construir o quanto antes e depois o projeto vem correndo atrás da obra. Não é o caso da casa Aqua. O projeto foi pensado e repensado em todos os detalhes. Antes de iniciarmos a execução, passamos uma semana discutindo a estratégia das etapas de construção, transporte de material etc. Se planejada corretamente, uma residência desse padrão pode ser erguida em seis meses”, observa Ferreira. Todas as ações foram feitas em parceria com as empresas que participaram do projeto. A escolha destas considerou suas ações de sustentabilidade, tanto nos processos produtivos, quanto no desenvolvimento de produtos que reduzem os impactos ambientais, tendo como foco a ação integrada com vistas à eficiência.

Sob a coordenação e o gerenciamento da Inovatech Engenharia, a casa Aqua é uma iniciativa da Missão Econômica da França em conjunto com a Fundação Vanzolini, idealizadora do projeto e responsável pelo suporte institucional na Feicon e Reed Exhibitions Alcântara Machado. O pré-lançamento da proposta ocorreu em Paris, na França, no início de 2009, durante o seminário Brasil Sustentável, organizado pelo Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB), referência mundial em pesquisas na construção civil. A casa foi concebida de acordo com o sistema de certificação Alta Qualidade Ambiental (Aqua), lançado em 2008 pela Fundação Vanzolini e inspirado no francês Haute Qualité Environnementale (HQE), adaptado à realidade brasileira. A certificação foi desenvolvida com a participação de professores da Poli/USP e do CSTB.

 

 

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